Movimento #metoo no Egito

O movimento #metoo foi fundado em 2006 por Tarana Burke, nos EUA, para apoiar sobreviventes de violência sexual, particularmente mulheres jovens de cor de comunidades de baixa renda, para encontrar caminhos para a cura.

O movimento começou a se espalhar viralmente em outubro de 2017 como uma hashtag nas mídias sociais, na tentativa de demonstrar a prevalência generalizada de agressão sexual e assédio, especialmente no local de trabalho.

Em meio à pandemia, ‘Me Too’ chega ao Egito

Uma postagem viral nas redes sociais desencadeou o movimento #MeToo do Egito.

Tudo começou depois que Sabah Khodir disse que viu o post de uma mulher (Nadeen Ashraf) na mídia social acusando um estudante universitário, Ahmed Bassam Zaki, de ser um predador sexual e de chantagear mulheres.

Sabah Khodir, fonte BBC News

Sabah Khodir deixou o Egito em 2019 porque ela mesma foi uma vítima de agressão sexual. Ela hoje é fundamental para ajudar as mulheres a se apresentarem, colocando-as em contato com advogados e terapeutas, e agora vê seus esforços recompensados.

Sabah Khodir insatisfeita ao ler acusações contra um estudante da Universidade Americana do Cairo, chamado Bassam Zaki, resolveu atuar.

Sabah Khodir, é uma ativista dos direitos das mulheres egípcias, em Washington nos EUA. Ela pegou uma foto de Bassam e espalhou nas redes sociais, detalhando as mensagens e pedidos que recebeu de muitas mulheres, com provas de áudio e prints contra o assediador. Isso aconteceu em junho de 2020 em plena pandemia.

A postagem viralizou e logo chegou a políticos, celebridades e até mesmo principais estudiosos religiosos do Egito que condenaram as ações de Bassam Zaki. Em dezembro de 2020, Zaki foi condenado a 11 anos de prisão por tentativa de estupro contra três mulheres e posse de drogas.

Bassam Zaki, fonte abc news

A postagem também levou a uma rede de mulheres unindo forças nas mídias sociais acusando outros homens por violência ou assédio sexual no Egito, provocando o próprio movimento Me Too (eu também) do país no meio da pandemia.

Nadeen Ashraf foi quem colocou as acusações na mídia. E criou uma página no Instagram. Em uma semana, tinha 70.000 seguidores.

Fonte: Instagram@assaultpolice

Tudo começou em um momento de fúria, na calada da noite. Em 1º de julho de 2020, Nadeen Ashraf, uma estudante de filosofia de 22 anos, estava acordada até tarde para fazer um exame na manhã seguinte quando ficou preocupada com uma postagem no Facebook que havia desaparecido misteriosamente.

Dias antes, uma colega da Universidade Americana do Cairo havia postado um alerta no Facebook sobre um homem que ela disse ser um assediador, um jovem manipulador de uma família rica que dizia estar assediando e chantageando mulheres no campus universitário.

Ela então deixou os estudos e criou um perfil no Instagram sob um pseudônimo de @assaultpolice, ou seja anonimamente, expondo Ahmed Bassam Zaki , ao lado de sua foto e uma lista de acusações de crimes contra mulheres.

Perfil no Instagram do movimento

Segundo ela fazia tempo que o moço acumulava crimes do tipo e “toda vez que uma mulher abria a boca, alguém a fechava com fita adesiva. Eu queria parar com isso.”

Nessa mesma manhã quando ela acordou, encontrou centenas de notificações de pessoas que aplaudiram sua postagem e cerca de 30 mensagens de mulheres que confidenciaram que elas também haviam sido agredidas por Zaki. Algumas disseram que foram estupradas.

Foi assim que surgiu o movimento #MeToo egípcio. Ela relatou que muitas das moças que entraram em contato disseram ‘Eu não posso acreditar que finalmente estou sendo ouvida.’ Mesmo que fosse sobrebum momento sombrio de suas vidas, no perfil do Instagram elas estavam falando. Havia uma sensação de empoderamento, de alívio.

As mulheres egípcias hesitam em denunciar a agressão ou assédio sexual por medo de serem culpadas ou enfrentarem uma reação da família.

Em 2021, o Egito definiu novas emendas, quem for condenado por agredir outras pessoas em locais públicos ou privados por meio de gestos sexuais ou pornográficos será condenado a uma pena de prisão de dois a quatro anos e/ou será multado em 100.000 LE no mínimo e 200.000 LE no máximo.

Nas situações de desequilíbrio de poder por vínculo profissional ou familiar, ou nos casos de uso de armas ou cúmplices, a pena foi aumentada de um mínimo de 2 anos para um mínimo de 7 anos. e aumento da multa máxima para 500.000 libras egípcias.

As penalidades por perseguição e assédio geral também foram aumentadas

Desde então o Egito aprovou também uma lei para proteger a identidade das mulheres que denunciam terem sido vítimas de abuso sexual.

A própria Mesquita Al-Azhar, divulgou uma declaração em apoio às mulheres, declarando que a roupa de uma mulher nunca é uma justificativa para agressão. Na época, após o movimento, no sermão da sexta-feira a maioria das mesquitas foi convidada a falar sobre assédio.

Ainda há um longo percurso para mudar a sociedade egípcia, atrelada a leis e cultura secular que atualmente não fazem muito sentido ou se encontra desajustadas a realidade atual. Ativistas como Khodir continuam a pressionar por reformas por meio das mídias sociais, enquanto ela enfrenta ameaças de morte regulares de homens online. Sim, para que algo mude, muitas mulheres têm sua segurança em risco. A igualdade de gênero anda está longe para as mulheres nesse lado do globo, mas vários passos foram dados.

Fonte bbc.com

Ao longo dos anos, uma cultura de patriarcado, religião e conservadorismo fez com que as mulheres muitas vezes ficassem em silêncio quando o abuso sexual acontecia, porque culpar a vítima é muito comum, especialmente mulheres.

Agora, porém, mulheres e meninas estão finalmente quebrando décadas de silêncio, indo às mídias sociais para compartilhar suas histórias de agressão, empoderar umas às outras e pedir justiça. É época de mudanças aproveitando a era das redes sociais.

Apesar de um sistema de leis que não as protege totalmente, da vergonha que podem receber das famílias e do fato de os chamados “crimes de honra” ainda acontecerem, as mulheres e meninas do Egito estão se manifestando mais do que nunca.

Uma revolução feminista está apenas começando no horizonte Além das Pirâmides.

Créditos:

  • bbc.com,
  • Wikipédia,
  • nytimes.com,
  • abcnews.go.com

Uma resposta para “Movimento #metoo no Egito”.

  1. Sim eu já fui vítima do meu próprio sobrinho eu sou tia de um rapaz e ele já fez isso comidinha da residência da minha mãe que eu tava passando os dias lá que eu tava por um momento difícil eu já fui vítima já do marido da minha irmã dentro da casa da minha mãe eu já fui evitando o meu próprio sobrinho Eu já fui vítima em vários lugar desses homens ele só quer só se aproveitar e meu sobrinho tinha a mulher dele tá quase casado e fez isso comigo e o marido da minha irmã casado com a minha irmã e fez isso comigo minha assediou deu em cima de mim para sair comigo na casa da minha mãe

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